17.5.12

Falta molho na seca.

O nome desta operação do Governo de Pernambuco me leva a alguns questionamentos deveras cômicos se não fossem trágicos: seria uma operação vazia? Uma operação que precisa de um pouco mais de "molho"? Rude, direta? Cá entre nós, do ponto de vista das técnicas de comunicação é um tiro no pé. Sem trocadilho com a sigla do estado. O título, como ensinam alguns conceitos básicos de propaganda, não deveria traduzir a solução em vez do problema? Não seria mais eficiente e objetivo Operação Água para o Sertão? Água para todos? Água "qualquer coisa"... Sei que, infelizmente, o problema da seca ainda afeta milhares de famílias no Nordeste. E que a população precisa de ações urgentes para resolvê-lo. Talvez por isso, pelo caráter urgente, pela correria e improviso das mesmas políticas seculares, pela pressa que é inimiga da perfeição, o nome Operação Seca tenha sido criado. Assim, seco! Árido como as práticas antigas de dominação que, ainda neste terceiro milênio, fazem da seca moeda de compra de voto e, consequentemente, de exclusão social.

26.4.12

De Gaulle tinha razão.

A célebre afirmativa atribuída ao general francês Charles de Gaulle, "o Brasil não é um País sério", ainda fere alguns brios nacionalistas. Mas, a nossa história aqui e acolá só faz comprova-la, como mostram os jornais de hoje: "Serei o guardião da CPI" (de Cachoeira), Fernando Collor de Mello. Isso só pode ser piada.

9.4.12

Circo de horrores.

Sempre defendo a necessidade de uma mídia mais voltada aos interesses e ao bem-estar da sociedade, com jornalismo mais construtivo e consolidador de valores que contribuam para o fortalecimento da cidadania. Por isso, procuro levantar reflexões sobre o tipo de jornalismo que vi hoje - e em outros dias em várias emissoras - no Jornal Hoje da Rede Globo. Por que um telejornal de veiculação em todo Brasil transmite matérias, se isso pode ser chamado assim, como a de uma mulher espancando um cachorro que, inclusive, não aparece no vídeo? Não sabemos quem é a mulher, o porquê da violência e nem, muito menos, o que o cidadão deve fazer quando se deparar com este tipo de violência. A imagem da mulher com um cabo de vassoura batendo em algo e o som de um cão grunhindo é patética, solta na grade do jornal, sem vinculações, sem maiores informações... nada. Só o horror de mais uma cena gratuita e bizarra de violência para promover ainda mais a infelicidade na vida das pessoas. Digo ainda mais, não porque somos todos infelizes apesar da mídia, mas, porque ela virou fonte diária de fomentação de pânico e pavor doentio nos telespectadores. Quem é aquela mulher que manipula descontroladamente um cabo de vassoura? A quem interessa seu gesto? O que foi feito com ela e com animal supostamente surrado, já que ninguém vê bicho nenhum? O que resta às pessoas além do choque ou do mal-estar frente a episódios como este? O que este tipo de jornalismo constrói? Outra matéria foi um ator que, encenando Judas, enforcou-se de verdade... Isso é comédia ou tragédia? Tragédia apenas para o ator e familiares. Comédia de mau gosto para todo os espectadores. E, mais uma vez, a quem ou a quê interessa? Todos os dias recebemos em casa assassinatos, crimes hediondos, crimes banais, acidentes, enfim, tragédias ou fatos sem relevância para a maioria das pessoas que nada acrescentam como informação ou formação. São apenas mais e mais espetáculos isolados de violência que só aumentam o elenco deste circo de horror no qual se tornou a mídia. Será apenas a ponta da lona que prenuncia a chegada de circos piores? Por que? Para que? Para quem? Até quando?

4.4.12

Tão sugando dinheiro público.

Um mau exemplo vale mais que mil discursos. O site Congresso em Foco revela a mamata absurda do Senado e da Câmara Federal. Das 1.158 faltas registradas pelos senadores em 2011, foram abonadas 70%. Na Câmara, ainda foi pior: 91% das 8.573 ausências dos deputados não tiveram nenhum tipo de punição. Político fiscalizando político é o mesmo que vampiro administrando banco de sangue: austeridade zero. Como estamos em ano de eleição, é bom ficarmos ligados neste mau exemplo para não darmos procuração para prefeitos e vereadores folgados agirem (ou não agirem) em nosso nome.

12.3.12

Campanha curiosa veiculada na Alemanha pra divulgar um produto que remove pelos. É cada ideia que plantam por aí...

28.2.12

Vai uma Antártida gelada aí?

Devido ao recente incêndio no gelo uma nova polêmica esquenta os telejornais: a forma certa de escrever é Antártida ou Antártica? Na dúvida, fique com uma Bohemia, Skol, Heineken... Em tempo: um professor de português informou no Jornal da Cultura que as duas formas estão corretas. No caso de adjetivo, prevalece antártica ou antártico, como em o "incêndio no posto antártico..." Ou geleiras antárticas... Mas, a região pode ser Antártica ou Antártida. Não entre em fria.

20.1.12

China que nos pariu?

Onde estão as feministas mundiais que não fazem movimentos permanentes contra a negação dos direitos da mulher na China? Onde estão os ecologistas que não batalham todos os dias contra um dos maiores poluidores mundiais? Onde estão as federações e sindicatos jornalísticos que não denunciam a falta de informação e a censura chinesas? Onde estão os meios de comunicação que criticam de forma oportunista o comunismo de Cuba, com olhos grandes em negócios, e nada falam do comunismo da China? A China é livre e Cuba não? Onde estão as ONGs? Onde estão os budistas, cristãos, evangélicos, muçulmanos, espíritas, afros de todas as nações, xintoístas de todas as cores? Todos desejam um pedacinho no céu chinês? Inclusive eu e você? Todos nós estamos procurando emprego na China?

17.1.12

Comunicação embromacional.

O tipo de comunicação supracitada no título destas poucas linhas, ainda não sei ao certo, acho, talvez, quem sabe, toda via, entretanto, traduza o fenômeno que leva um carioca a dizer ao outro “ a gente se liga pra marcar alguma coisa”. Isso acontece com plena ciência de que um não tem o fone do outro. E vice-versa, numa recíproca verdadeira.
E o tal beijo no coração... Argh! Lembro logo das minhas aulas de biologia e vejo uma boca melada de azul e vermelho: sangue venoso e arterial. Tão embromacional quanto, são os jargões da propaganda de varejo: “Só esta semana!”. “Preços imbatíveis!”. “Por que escolher um se você pode ter os dois?”. Este último está presente em duas campanhas diferentes, de anunciantes e agências distintos, que vi aqui no Rio, dia destes. E você é do tipo que se despede dizendo “um abração”? Por que ninguém quer mais dar um abraço? De verdade, sem embromação.

22.9.11

Cadê minha pareia?

Uma amiga tava comentando dia desses como era difícil encontrar alguém legal neste mundo sem porteira. Não qualquer alguém, mas, uma figura gente boa, amorosa, respeitosa, tesuda, que tenha algumas coisas em comum e que signifique algo mais “que um encontro casual”, como dizia Belchior. Disse pra ela que estava coberta de razão. As estatísticas comprovam... e revelam novos grupos sociais que contribuem para dificuldade do encontro: Grupo 1. Resto de feira: pessoas sequeladas por relacionamentos azedos. Grupo 2. Fast food: adeptas apenas do bandejão onde se come de um tudo e se deixar sobra paga multa. Grupo 3. Tarja Preta: pessoas neuróticas e/ou auto-suficientes.Tipo masturbação existencial. Grupo 4. Bolero 1: você quer, mas, não lhe querem. Grupo 5. Bolero 2: querem você, mas, você manda embora. De acordo com IPSQT, Instituto de Pesquisa dos Solitários e Que Tais, fora destes grupos, está sua cara-metade. Que, por não ser inteira, você dificilmente reconhece.

7.9.11

Sabão americano com aroma nazista.

" O primeiro passo para aliviar o Fardo do Homem Branco é ensinar as virtudes da limpeza. O Pear's Soap é um importante fator para clarear os cantos escuros da Terra à medida que a civilização avança..." Trecho de anúncio do sabonete americano Pear's Soap, veiculado em 1899. É a teoria da supremacia ariana pregada nas universidades e pela intelectualidade branca do Tio Sam se consolidando pela propaganda no cotidiano dos EUA, forjando o estilo de vida americano que ecoa até os dias atuais. Detalhe para reflexão: conforme informações no Wikipédia, em 1899, data do anúncio, Hitler tinha apenas um ano de idade.

23.8.11

Colesterol, garças brancas e o dia começando.


O tapete de água escura não tem uma onda, uma franja sequer. Sereno. Pontilhado de brilhos do sol. A pedra imponente, lá do alto, observa solene. E tranquila. Deixa suas secreções noturnas evaporarem com o aquecer do dia que começa. Talvez tenha feito sexo com as estrelas. Em volta do fluido tapete salpicado de garças brancas, crianças, jovens e idosos de todas as idades. Alegrias que caminham e brincam. E eu, rindo sozinho, aproveito o espreguiçar da manhã, bem cedinho, para baixar meu colesterol com mais uma caminhada na Lagoa Rodrigo de Freitas.

9.8.11

Um brinde à solidariedade!


Peço uma água com gás para amenizar os efeitos colaterais do reencontro com os amigos que vivem no Rio. Dois profissionais na mesa ao lado do balcão do Bar do Escadinha, Vila Isabel, já estão ou ainda estão tomando uma cerveja logo cedo, de manhã. Pergunto a eles qual é o melhor ônibus para ir e voltar ao Flamengo. 438! 433! Chama o garçom que ele é patrimônio histórico daqui do bairro! 434! Calma que vou ligar pra minha mulher. Amigo Pernambuco fala aqui com ela que sabe tudo de Flamengo. 433! E assim, em meio a uma conferência sobre o buzu, começo meu segundo dia na Cidade Maravilhosa, constatando que o velho espírito solidário do carioca ainda sobrevive. E resiste à indiferença dos tempos modernos.

3.8.11

Viagem...


Partida e chegada: cômodos de uma mesma casa. Morada com paredes de saudades e sonhos, de janelas com olhos para dentro e para fora. A tinta, esmaecida aqui, impregnada de recordações, tem pinceladas do que foi. A mesma tinta brilha acolá com o verniz do possível, do que será. A partida é o quarto do ontem. A chegada, do amanhã. Hoje é a porta do ser. Do ser feliz por tudo que é partida, por tudo que é chegada. Por tudo que é: presente.

20.7.11

Desengarrafe sua vida.


O comportamento humano, muitas vezes, tem enorme capacidade de multiplicar gestos, rotinas e atitudes. Uma verdadeira comunicação viral. Há poucos anos atrás, não se via a multidão com fobia de morrer desidratada que vemos hoje pelas ruas carregando suas “vitais” e babadas garrafinhas de água. Façamos então outro exercício comportamental: usar menos o carro ou mesmo deixá-lo na garagem por um mês. Garanto, por experiência própria, que o resultado é muito mais benéfico do que aqueles imaginados pelos “hidrófilos” das garrafinhas.
Acho que faz uns cinco anos que estou sem carro. Começou por condição: falta de grana. Hoje, virou opção. Todas as vezes em que penso comprar um automóvel, desisto. Por dois motivos:

1 – Vivo em uma cidade que não anda. Engarrafa.
2 – Não sou caixeiro viajante, nem preciso fazer grandes deslocamentos que não possam ser realizados a pé, minha primeira opção, de ônibus ou taxi.

Com isso, garanto alguns benefícios que valorizo cada vez mais:

1 – Não contribuo para o aumento dos engarrafamentos.
2 – Não sou mais um a jogar fumaça na nossa, minha e sua, natureza.
3 – Não gasto dinheiro com academia, pois caminho bastante.
4 – Não gasto dinheiro com gasolina, gasto com cerveja.
5 – Não gasto dinheiro com manutenção, nem com documentos. Uso a grana pra meu bem-estar ou invisto em outras necessidades.
6 – Não tenho, quase nunca, na minha rotina, o grande fator de estresse que é o trânsito engarrafado e a falta de local para estacionar. Se estou no ônibus ou taxi e pinta engarrafamento, desço e vou andando.

Experimente mudar seu comportamento. Deixe o carro de lado uma semana, um mês. Faça um teste no drive. Vamos fortalecer o Movimento dos Sem-Carro! Pense bem: por que perder tempo preso nos engarrafamentos, se você pode ganhar mais tempo e qualidade de vida? Crie sua alternativa de deslocamento: a pé, de bicicleta, dividindo carro com amigos, de ônibus... Você poderá se surpreender com as boas mudanças em sua vida.

Se gostar, multiplique esta ideia.